Caracas — Três meses após a suposta captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, o cenário político na Caracas apresenta mudanças profundas e um ambiente de instabilidade. Sob a liderança da presidente interina Delcy Rodríguez, o governo iniciou um processo de desmonte do aparato chavista que sustentava o poder nas últimas décadas.
Nos bastidores, uma série de detenções e afastamentos vem atingindo figuras-chave do antigo regime. Entre os nomes citados estão o empresário Álex Saab, detido em operação conjunta com o FBI, além de Raúl Gorrín e do magnata naval Wilmer Ruperti. Já o ex-ministro do Petróleo, Tareck El Aissami, permanece preso, enquanto Vladimir Padrino López foi destituído junto com a cúpula militar.
Presidente Delcy Rodríguez
De acordo com relatórios internacionais, as ações estariam ocorrendo sem explicações públicas detalhadas, mas com respaldo direto da Casa Branca. Washington teria exigido a abertura de investigações contra figuras estratégicas do chavismo, incluindo Nicolás Maduro Guerra e Walter Gavidia Flores.
Apesar das mudanças, o aparato de inteligência segue ativo. O SEBIN continua operando com milhares de câmeras de reconhecimento facial, muitas delas fornecidas por empresas chinesas. A diferença, segundo analistas, é que agora o monitoramento estaria voltado para antigos aliados do próprio Maduro.
Dentro do PSUV, o clima é de tensão e incerteza. Integrantes do partido acreditam que o ex-presidente pode ter sido traído por membros próximos. O ex-governador Andrés Velásquez aponta que discursos recentes de Rodríguez — que evitam menções a Maduro e à ex-primeira-dama Cilia Flores — reforçam essa percepção.
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